Empréstimo para MEI existe em linhas oficiais com juros limitados por lei, como o Procred 360, que cobra no máximo a Selic mais 5% ao ano, e o microcrédito do BNDES. O governo não empresta direto: o dinheiro sai de um banco, depois de análise de crédito, e o CNPJ precisa estar ativo e sem pendências.
Neste guia você vai ver quais linhas de crédito oficiais o MEI pode usar em outubro de 2026, quanto dá para pegar, o que os bancos pedem, por que a dívida com a Receita e a PGFN trava o pedido, como regularizar antes de pedir e como reconhecer o golpe do "empréstimo liberado pelo governo".
Resumo rápido: as linhas oficiais para o MEI fazem parte do Programa Acredita e de programas do BNDES e dos bancos públicos. O Procred 360 atende MEI e microempresa com faturamento de até R$ 360 mil, com limite de até 30% do faturamento do ano anterior (50% para negócios liderados por mulheres). O banco decide se aprova. CNPJ inapto, declaração anual em falta e dívida na dívida ativa da União pesam contra. Desconfie de quem pede depósito para liberar o dinheiro.
Existe empréstimo para MEI liberado pelo governo?
Não do jeito que muitos anúncios prometem. O governo federal cria os programas, fixa o teto dos juros e banca parte do risco por meio de fundos garantidores, como o Fundo Garantidor de Operações (FGO). Quem analisa o pedido, empresta e cobra é a instituição financeira. A Receita Federal diz isso com todas as letras sobre o Pronampe: os bancos participantes concedem o crédito e decidem sobre a aprovação.
Em 2026, as principais linhas para pequenos negócios estão reunidas no Programa Acredita, do Ministério do Empreendedorismo, criado pela Lei nº 14.995/2024. Ele inclui o Procred 360, o microcrédito orientado para quem está no CadÚnico e a renegociação de dívidas do Pronampe. O BNDES mantém linhas próprias, repassadas por agentes credenciados.
Quais linhas de crédito oficiais o MEI pode usar em 2026?
As condições abaixo constam nas páginas oficiais de cada programa em outubro de 2026. Taxa final, prazo e valor dependem do banco e da análise do pedido.
| Linha | Para quem | O que a fonte oficial confirma | Onde pedir |
|---|---|---|---|
| Procred 360 | MEI e microempresa com faturamento anual de até R$ 360 mil | Juros de no máximo Selic + 5% ao ano. Limite de até 30% do faturamento do ano anterior, ou 50% para empresas lideradas por mulheres. Programa permanente | Bancos credenciados, entre eles a Caixa e o Banco do Brasil |
| Pronampe | Microempresas e empresas de pequeno porte | Juros de no máximo Selic + 6% ao ano, prazo total de até 72 meses e carência de até 12 meses, pela Lei nº 13.999/2020. Limite de até 30% da receita bruta do ano anterior | Bancos públicos e privados que aderiram |
| BNDES Microcrédito | Quem empreende com receita bruta anual de até R$ 360 mil | Até R$ 21 mil por instituição no microcrédito produtivo orientado, ou até R$ 80 mil na linha Mais Microcrédito. Juros efetivos de até 4% ao mês | Agentes operadores do BNDES ou formulário no BNDES Impulso |
| Cartão BNDES | MEI com faturamento de até R$ 360 mil e CNPJ regular | Limite de até R$ 2 milhões por banco emissor, pagamento em até 48 parcelas fixas. Serve para comprar produtos e serviços credenciados, não para capital de giro | Portal do Cartão BNDES e banco emissor onde a empresa tem conta |
| Acredita no Primeiro Passo | Pessoas de 16 a 65 anos com cadastro atualizado no CadÚnico | Microcrédito orientado. Valores, taxas e prazos seguem os critérios de cada instituição | Banco do Nordeste, Banco da Amazônia e outras instituições credenciadas |
| Crediamigo | Empreendedores formais ou informais com faturamento de até R$ 360 mil | Microcrédito orientado do Banco do Nordeste, com aval em grupo ou garantia de um coobrigado | Pontos de atendimento do programa na área do Banco do Nordeste |
Alguns pontos ajudam a ler a tabela:
- Procred 360 e Pronampe estão na mesma lei. O Procred 360 foi incluído no artigo 12-A da Lei nº 13.999/2020, que é a lei do Pronampe, e segue as demais regras dele. Como o MEI fatura bem abaixo de R$ 360 mil, ele está dentro do público do Procred 360.
- A taxa acompanha a Selic. O teto é a Selic mais um percentual fixo, e cada banco pode cobrar menos que o teto.
- O Cartão BNDES tem destino certo. Ele financia itens credenciados no portal, como máquinas e equipamentos, e não contas do dia a dia.
- Estados também têm programas, por meio de bancos de desenvolvimento e agências de fomento, com regras próprias.
Quanto o MEI consegue pegar de empréstimo?
No Procred 360 e no Pronampe, o teto é calculado sobre o faturamento do ano anterior. Para o MEI que declarou o limite de R$ 81 mil em 2025, 30% dariam até R$ 24.300. Se o negócio for liderado por uma mulher, o percentual de 50% levaria a até R$ 40.500. Esse é o máximo da regra: o banco pode aprovar menos ou negar.
Para empresas com menos de um ano, a Lei nº 13.999/2020 usa outra conta: vale o maior valor entre 50% do capital social e 30% de doze vezes a média do faturamento mensal desde a abertura.
O faturamento usado na conta vem das declarações que a própria empresa envia, segundo a Receita. No caso do MEI, a DASN-SIMEI e o PGMEI. Sem a declaração anual, não há faturamento oficial para servir de base. Veja como fazer no guia da declaração anual do MEI.
O que os bancos pedem para liberar empréstimo para MEI?
Cada banco tem sua lista, mas estes pontos aparecem na maioria dos pedidos:
- CNPJ ativo. Empresa inapta, suspensa ou baixada fica fora. Pelo artigo 49 da Instrução Normativa RFB nº 2.119/2022, o CNPJ inapto não pode contratar empréstimos nem receber crédito com recursos públicos.
- Declaração anual entregue. A DASN-SIMEI comprova quanto o MEI faturou e é a base do limite no Pronampe e no Procred 360.
- DAS em dia. O DAS atrasado vira dívida com a Receita e, depois, com a PGFN, e pesa na análise.
- Certidão de regularidade fiscal. A certidão negativa, ou a positiva com efeitos de negativa, mostra que o CNPJ está em ordem com a Receita e a PGFN. O Cartão BNDES, por exemplo, exige que a empresa esteja em dia com certidões e tributos federais.
- Conta no banco e cadastro atualizado. O Cartão BNDES é pedido no banco onde a empresa tem conta jurídica.
- Garantia. No Pronampe e no Procred 360, a lei só permite exigir a garantia pessoal do titular, no valor do empréstimo mais os encargos (até 150% para empresas com menos de um ano). No microcrédito orientado, a garantia costuma ser um aval em grupo ou um coobrigado.
Um esclarecimento: o artigo 4º da Lei nº 13.999/2020 dispensa os bancos, no Pronampe, de algumas exigências legais, como a consulta obrigatória ao Cadin e a certidão do INSS. Isso não obriga o banco a ignorar as dívidas. A aprovação continua sendo decisão dele.
Por que dívida na Receita ou na PGFN trava o crédito?
A dívida fiscal aparece para o banco de várias formas:
- Cadin. Pela Lei nº 10.522/2002, o Cadin reúne quem tem obrigações vencidas e não pagas com órgãos federais, e a consulta a ele é obrigatória antes de operações de crédito com recursos públicos. O registro fica suspenso quando a cobrança está suspensa, como em uma negociação em dia.
- Dívida ativa da União. O INSS do DAS que não foi pago acaba inscrito na dívida ativa, com 20% de encargos, segundo o Portal do Simples Nacional, e pode ser protestado e comunicado aos birôs de crédito. O guia da dívida ativa do MEI explica esse caminho.
- Certidão positiva. Com débito em aberto ou declaração em falta, a certidão sai positiva, e as linhas que pedem regularidade fiscal ficam bloqueadas.
- CNPJ inapto. A falta da DASN-SIMEI por mais de 90 dias pode levar à inaptidão, que proíbe empréstimos no nome da empresa. Veja como sair dessa situação no guia do MEI inapto.
- Faturamento sem comprovação. Sem as declarações, o banco não tem como calcular o limite.



